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Delegado da Polícia Federal é preso por extorsão no Rio de Janeiro


O delegado da Polícia Federal (PF) Lorenzo Pompilho da Hora foi preso nesta terça-feira (11), no Rio de Janeiro, sob acusação de cobrar propina de pessoas investigadas por ele. A extorsão chegava a atingir R$ 1,5 milhão em alguns casos, de acordo com as investigações da Polícia Federal e Ministério Público Federal. O delegado participou da apresentação de testemunha falsa no caso Marielle. Ele prestou depoimento nesta terça-feira e negou participação em esquema ilegal.

A investigação chegou ao delegado após delação premiada de um empresário que foi do esquema, segundo o procurador da República Rafael Barreto. Pompilho foi um dos três delegados federais que apresentaram à Delegacia de Homicídios o policial militar Rodrigo Ferreira, que inicialmente acusou o vereador Marcello Siciliano (PHS) e o ex-PM Orlando Araújo, o Orlando Curicica, de serem mandantes da execução da vereadora do PSOL e seu motorista, Anderson Gomes. Ferreirinha, como é conhecido o policial militar, posteriormente afirmou que mentiu em depoimento. 

Ainda segundo a PF, há indícios de que o esquema criminoso envolveu outros agentes públicos e que não se limitou às investigações apontadas. Os agentes também cumpriram 24 mandados de busca e apreensão. Um dos alvos foi a residência de um delegado da Polícia Federal aposentado.

Segundo o Ministério Público Federal, além de investigados na operação Postalis, o delegado de Polícia Federal Lorenzo Pompílio da Hora, e o escrivão Éverton da Costa Ribeiro também cobravam propina dos investigados no inquérito policiai relacionado à Operação Titanium, que investigou fraudes envolvendo o Plano de Saúde dos Correios.

O inquérito apontou que Lorenzo e Éverton solicitaram e receberam grandes valores e vantagens indevidas para evitar a exposição na mídia de investigados e potenciais investigados e favorecê-los nas apurações conduzidas por eles quanto às irregularidades no Postalis e no Plano de Saúde dos Correios.

Os servidores contavam com a atuação de operadores, principais intermediários da organização criminosa. Segundo a investigação, eles usavam seus contatos para se aproximar dos investigados e pedir os pagamentos de vantagens indevidas, além de viabilizar o recebimento de propina e as operações de lavagem de dinheiro.

Segundo as primeiras apurações, os pagamentos entre R$ 400 mil a R$ 1,5 milhão eram feitos, na maior parte das vezes, em dinheiro. Outros valores foram repassados por meio de transferências a empresas ligadas aos operadores.

Durante as investigações, a polícia determinou as quebras de sigilo bancário, fiscal, telemático e telefônico dos investigados. Além disso, a apuração identificou após acordo de colaboração premiada celebrado com alguns dos empresários abordados pelo grupo, a prática dos crimes de corrupção ativa, corrupção passiva, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Em fevereiro do ano passado, a Polícia Federal deflagrou uma operação para esclarecer a suposta atuação de uma organização criminosa especializada no desvio de recursos previdenciários do Postalis. Em dezembro de 2015, a PF deflagrou a Operação Positus. A operação apurou desvios de até R$ 180 milhões.

A fraude consistia, segundo as investigações, na compra de títulos do mercado de capitais, por uma corretora americana, que os revendia por um valor maior para empresas com sede em paraísos fiscais. Em seguida, os títulos eram adquiridos pelos fundos do Postalis com um aumento ainda maior no valor do título.

Em setembro de 2016, a PF deflagrou a Operação Greenfield para investigar irregularidades em quatro dos maiores fundos de pensão do país, entre os quais, o Postalis. Os desvios totais eram estimados em pelo menos R$ 8 bilhões.

Em outubro de 2017, a Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc) decretou intervenção no Postalis pelo prazo de 180 dias. A medida foi feita para preservar os direitos dos participantes dos fundos de pensão, segundo a lei dos regimes de previdência complementar.

Em fevereiro de 2018, foi deflagrada outra operação, chamada de Pausare, que identificou má gestão e desvios que geraram rombo de R$ 6 bilhões. Segundo a Polícia Federal e o Ministério Público, ex-dirigentes do Postalis autorizavam investimentos fracassados com base em relatórios técnicos falhos, com avaliações irreais para viabilizar as operações.

A força-tarefa da Lava Jato no Rio prendeu, em abril do ano passado, suspeitos de fraudar o Postalis e Sepros. Esses fundos investiram quase R$ 500 milhões em empresas ligadas a empresário preso, que é suspeito de transferir valores para paraíso fiscal.

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